Tempestade provoca deslizamentos e inundações entre Boracéia até Maresias na Costa Sul de São Sebastião

Fenômeno climático mobilizou Defesa Civil, Bombeiros e Regionais de Juquehy e Boiçucanga

Fenômeno climático mobilizou Defesa Civil, Bombeiros e Regionais de Juquehy e Boiçucanga

O acumulado de chuva na região em 12 horas foi de 153 milímetros, o que equivale a um mês e meio de chuva.

A ininterrupta e forte chuva,  que caiu na Costa Sul de São Sebastião provocou vários deslizamentos de terra e inundações nos bairros da região entre a noite do último domingo (13) e a manhã desta segunda-feira (14).

O fenômeno climático mobilizou a Defesa Civil (DC) e o Corpo de Bombeiros, além de servidores lotados nas Regionais Juquehy e Boiçucanga, ambas ligadas à Secretaria das Administrações Regionais (Seadre).

De acordo com Carlos Eduardo dos Santos, o Carlão, responsável pela Defesa Civil, o acumulado de chuva na região em 12 horas foi de 153 milímetros. “Isso equivale a um mês e meio de chuva”, afirma.

Com relação a alagamentos, a situação mais crítica ocorreu na Vila Mineira, em Barra do Una. O índice pluviométrico registrado no bairro foi de 88 milímetros.

No local, onde há uma Zeis (Zona de Especial Interesse Social) que fica às margens da rodovia Rio-Santos, a água chegou a quase um metro e meio de altura em alguns pontos e obrigou a saída de 12 famílias, que foram para casas de parentes.

Os moradores disseram que a cheia começou logo após a meia-noite e causou muito transtornos e preocupação à população. Alguns carros ficaram submersos porque seus proprietários não imaginavam que eles seriam atingidos pela inundação onde foram estacionados.

Já no núcleo Itatiaia, também Barra do Una, a água atingiu quase dois metros de altura em determinados lugares. Com cerca de 30 moradias, apenas cinco famílias foram removidas pela Defesa Civil. O restante decidiu permanecer em suas residências porque a água começava a baixar e alguns moradores têm embarcações para utilizar em uma emergência.

Para Carlão, a enchente foi provocada pela maré alta e chuva torrencial na cabeceira da serra do mar e nos próprios bairros.

Lama

Ainda em Barra do Una, pelo menos cinco imóveis foram afetados com muita lama que desceu da obra realizada pela Petrobras no duto que fica na subida do morro em direção à praia de Juquehy, e que segundo informações a empresa ficou de construir um muro de contenção no local.

A forte correnteza e o alto volume do rio Una e/ou Cubatão, que chegou a quase dois metros acima do leito normal, também levaram a passarela de aproximadamente 30 metros de comprimento que existia na rua Itatiaia.  A cheia levou ainda,  vários troncos e entulhos rio abaixo que ficaram presos na ponte de madeira no interior do bairro.

Na tarde desta segunda-feira, a Regional Juquehy removeu o material para não prejudicar a estrutura do equipamento.

Outro bairro afetado com alagamento é Boracéia, que registrou 101 milímetros de chuva. Segundo o assessor da Seadre, Jorge Paulo Pereira, a água fica represada em função da rodovia Rio-Santos ser mais alta que as ruas e casas. “Dessa vez entrou em algumas casas porque o volume de chuva foi muito alto”, acredita.

De acordo com ele, é necessário solicitar ao DER (Departamento de Estradas de Rodagem) a abertura de uma adutora por baixo da rodovia para que ocorra o escoamento das águas pluviais. Hoje existe apenas uma saída naquele trecho. A inundação atingiu as alamedas Paranapiacaba, Cubatão, Mauá e São Caetano, nas imediações da escola municipal.

A aldeia indígena existente no bairro também registrou um chamado com relação a queda de árvore e falta de energia elétrica. Entretanto, segundo Carlão, a equipe precisa aguardar o nível da água baixar parar chegar ao local e atender as reivindicações dos índios.

A Defesa Civil também constatou pontos de alagamentos em áreas situadas em outros bairros, como na Baleia Verde, na Baleia; Lobo Guará, Areião, Rua da Rosa e da Calçada em Cambury; Vila Progresso, em Juquehy; além de lugares em Boiçucanga e Maresias.

Deslizamentos

Vários deslizamentos ocorreram na região. Na Zeis Sítio Velho, em Barra do Una, um escorregamento de terra atingiu, por volta das 7h30, uma casa de madeira onde residem três pessoas. No momento da queda, havia apenas um morador que não se feriu.

A Defesa Civil interditou a moradia. O incidente também originou um problema na área: desviou um curso d’água. “Vamos retirar o material e fazer com que a água volte ao local de origem para não causar danos a outros imóveis situados no entorno”, declara Carlão.

Na rodovia Rio-Santos, altura do km 178 + 900 metros, entre Juquehy e Barra do Una, várias pedras caíram no acostamento. Agentes do DER sinalizaram o local e orientavam os motoristas.

A Defesa Civil informa que solicitará ao DER a análise do terreno por um engenheiro do Instituto Geológico para verificar se há mais riscos de queda.

Em Juquehy, os escorregamentos aconteceram em três locais e também não fizeram vítimas. O mais crítico foi na Vila Pantanal, onde sete imóveis tiveram que ser interditados.

De acordo com Carlão, apenas uma moradia foi atingida com a terra. Nas outras, o material chegou até o alicerce e várias árvores oferecem risco de queda. Algumas famílias foram removidas para casas de famílias. Outras terão que ser abrigadas em prédios públicos, como em escolas.

Os outros deslizamentos ocorreram na Vila Pernambuco e no Morro do Esquimó.

Segundo a Defesa Civil, a previsão é de que a chuva continue até à tarde da próxima quarta-feira, 16.

A Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Humano de São Sebastião enviou ao local assistentes sociais,  para acompanhar as famílias e avaliar a situação para identificar quais as primeiras necessidades dos moradores, e desta forma, priorizar as medidas e ações que deverão ser realizadas no local.

Vale destacar que abrigos foram disponibilizados nas escolas dos bairros atingidos, contudo,  a maioria dos familiares preferiram ir para casa de parentes.

(RS\VM)

Fotos: Ricardo Faustino|PMSS

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